
O dia 28 de abril marca, em todo o mundo, a luta pela preservação da vida no trabalho. Reconhecida como o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho e, no Brasil, também como o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, a data reforça a urgência de políticas efetivas de prevenção e de ambientes laborais que respeitem a dignidade humana.
A origem dessa mobilização remonta a 1969, quando uma explosão em uma mina em Farmington, nos Estados Unidos, vitimou 78 trabalhadores. A tragédia impulsionou um movimento internacional por condições mais seguras, culminando, em 2003, com a oficialização da data pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Desde então, o 28 de abril se consolidou como um marco de denúncia, memória e mobilização.
Para o Sindicato dos Bancários de Araraquara e região, a data não é apenas simbólica — é um chamado à ação permanente. Em um setor marcado por metas abusivas, pressão constante e intensificação do trabalho, o adoecimento físico e mental tem se tornado cada vez mais recorrente.
A diretora do Sindicato, Rosângela Lorenzetti, destaca que é fundamental ampliar o olhar sobre o tema. “Falar de saúde no trabalho é falar de condições reais de vida. No setor bancário, o que vemos é um ambiente cada vez mais adoecedor, em que o cumprimento de metas muitas vezes se sobrepõe ao respeito aos limites humanos. Precisamos romper com essa lógica e colocar a vida no centro das relações de trabalho”, afirma.
Já o secretário de Saúde e Condições de Trabalho, André Luiz de Souza, chama atenção para a gravidade do cenário e para a necessidade de enfrentamento estrutural. “O adoecimento no sistema financeiro não é pontual, é resultado de um modelo de gestão que impõe pressão contínua e naturaliza o sofrimento. Muitos trabalhadores seguem em atividade mesmo doentes, medicados, tentando dar conta de uma rotina insustentável. Isso não pode ser normalizado”, ressalta.
O dirigente também reforça que a subnotificação ainda encobre a real dimensão do problema, dificultando a implementação de políticas eficazes. “É essencial dar visibilidade a essa realidade e fortalecer os mecanismos de proteção, responsabilizando as instituições por práticas que comprometem a saúde dos trabalhadores”, completa.
Historicamente, o movimento sindical tem papel central na construção de instrumentos de proteção, como o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP), que reconhece a relação entre doenças e atividade profissional, garantindo direitos e amparo aos trabalhadores adoecidos. Para o Sindicato, no entanto, é preciso avançar.
A entidade orienta bancários e bancárias a não silenciarem diante de irregularidades. Denúncias sobre condições de trabalho, emissão de CAT e orientações sobre afastamentos podem ser feitas diretamente junto à Secretaria de Saúde do Sindicato, com garantia de sigilo e acolhimento.
Mais do que lembrar as vítimas, o 28 de abril reforça um compromisso coletivo: transformar o ambiente de trabalho em um espaço de respeito, proteção e vida. Uma luta que exige organização, consciência e ação contínua.

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