
Falar sobre o fim da escala 6x1 é falar também sobre saúde mental, qualidade de vida e o direito de viver além do trabalho. É reconhecer que ninguém deveria precisar abrir mão do descanso, do convívio com a família, do lazer e do cuidado com a própria saúde para dar conta de uma rotina profissional cada vez mais exigente.
Uma conquista importante nessa direção foi alcançada em 14 de outubro, quando o Senado aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que acaba com a escala 6x1. Foram 75 votos favoráveis e apenas um contrário. O texto prevê dois dias de descanso remunerado por semana, preferencialmente com um deles aos domingos, e a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.
A mudança prevista na PEC será implementada gradualmente: 60 dias após a promulgação, a jornada semanal passará a ser de 42 horas, com adoção da escala 5x2. Após 14 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais.
“A redução da jornada de trabalho é uma conquista que representa mais dignidade e qualidade de vida para toda a classe trabalhadora. Embora os bancários já tenham a jornada de cinco dias de trabalho e dois de descanso, sabemos que essa realidade ainda está distante de milhões de brasileiros. Por isso, defendemos que esse avanço seja um direito de todos, garantindo mais tempo para a família, o lazer e o cuidado com a saúde”, afirma André Luiz de Souza, secretário de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato dos Bancários de Araraquara e região.
Uma luta de cada vez, sempre coletivamente
O fim da escala 6x1 mostra que a mobilização coletiva pode transformar a realidade de milhões de pessoas. A conquista merece ser celebrada, mas também deve impulsionar novas lutas por melhores condições de trabalho, prevenção do adoecimento e respeito aos limites físicos e mentais dos trabalhadores.
Para os bancários, isso significa continuar defendendo ambientes de trabalho saudáveis, combater a pressão excessiva e o assédio e avançar no debate sobre a redução da jornada na categoria. Cada conquista abre caminho para a próxima. Foi assim que os trabalhadores construíram direitos ao longo da história, e é assim que a luta sindical segue avançando: com organização, solidariedade e a compreensão de que nenhuma categoria conquista tudo sozinha.
“Conquistar mais tempo fora do trabalho é fundamental, mas essa mudança precisa vir acompanhada de melhores condições durante o expediente. No setor bancário, as metas abusivas, a pressão constante e o assédio impactam diretamente a saúde física e mental dos trabalhadores. Precisamos avançar na construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, em que os direitos sejam respeitados e ninguém precise sacrificar o próprio bem-estar para cumprir exigências cada vez maiores”, reforça André.

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