
Bancários e bancárias do Itaú realizam nesta terça-feira (29), o Dia Nacional de Luta em defesa do emprego e por melhores condições de saúde e de trabalho.
No último mês, a instituição comemorou seu centenário, sendo o maior banco da América Latina, com R$ 2,9 trilhões em ativos e uma carteira de crédito que ultrapassa R$ 1 trilhão. No entanto, os 100 anos de história celebrados pelo Itaú escondem uma realidade amarga para os trabalhadores: demissões, metas abusivas, adoecimento, fechamento de agências e assédio moral.
Somente em Araraquara (SP), o banco já promoveu o fechamento de 50% de suas unidades, sem a garantia de realocação dos trabalhadores afetados e de atendimento para seus clientes e usuários. “Funcionários remanescentes sofrem com a sobrecarga de trabalho e a população, com longas filas na espera por atendimento presencial. Isso, quando não são empurrados para os serviços digitais, muitas vezes sem nem sequer ter qualquer familiaridade com a tecnologia ou acesso à internet, por exemplo”, denuncia a diretora do Sindicato, Rosângela Lorenzetti.
Para cobrar do Itaú que reveja suas práticas de gestão, respeito e a valorização dos funcionários, o Sindicato se somou às mobilizações. Diretores da entidade estiveram nas agências do município dialogando com os bancários e bancárias e realizaram, ainda, a distribuição de material informativo à população.


“A violência organizacional está instalada no banco há décadas, porém os programas de remuneração, juntamente com os de avaliação, têm deixado os empregados cada vez mais sobrecarregados e temerosos. É inadmissível que o bancário perca o emprego e a saúde por conta de um modelo de gestão que o massacra”, indigna-se a dirigente.

O movimento sindical tem recebido inúmeras denúncias de que o Itaú tem demitido por justa causa, por falta de certificações da Anbima, inclusive dirigentes sindicais. Para piorar, o banco tem “oferecido” aos trabalhadores adoecidos e de licença médica pelo INSS, a troca da estabilidade do emprego por uma indenização em dinheiro, aproveitando-se de um momento de fragilidade do bancário.
“Os trabalhadores adoecem em um contexto de reestruturação, que gera cada dia mais pressão por resultados e o consequente afastamento desses trabalhadores. Depois, são simplesmente descartados pelo banco. Os dados deixam claro como este tipo de gestão gera impactos para além do âmbito profissional, atingindo a vida pessoal e o bem-estar de todos os envolvidos, funcionários e também seus familiares que dependem destes empregos. Por isso, é fundamental que o Itaú considere não apenas os números e indicadores financeiros, mas também o impacto humano e social de suas decisões”, ressalta Rosângela.

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