
A partir desta terça-feira, 26 de maio, entra plenamente em vigor a nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia as obrigações das empresas em relação à saúde e segurança no trabalho, incluindo de forma obrigatória os chamados riscos psicossociais na gestão de riscos ocupacionais.
Na prática, a nova norma exige que empresas passem a identificar, avaliar e adotar medidas preventivas contra fatores que adoecem mentalmente os trabalhadores, como metas abusivas, assédio moral, pressão excessiva, sobrecarga de trabalho e ambientes organizacionais tóxicos, situações amplamente denunciadas pela categoria bancária há anos.
Para o Sindicato dos Bancários de Araraquara e região, a mudança representa um avanço importante, especialmente em um setor marcado por índices alarmantes de adoecimento mental, afastamentos previdenciários e crescente pressão por resultados.
Os bancos acumulam lucros bilionários enquanto trabalhadores convivem diariamente com cobranças excessivas, redução de quadros, insegurança e intensificação do trabalho. Não por acaso, transtornos de ansiedade, depressão e síndrome de burnout estão entre as principais causas de afastamento na categoria.
A nova NR-1 reforça o chamado Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), que deverá ser formalizado por meio do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Com isso, as empresas passam a ter obrigação legal de registrar, monitorar e controlar também os riscos ligados à organização do trabalho e à saúde mental.
Entre os principais pontos da norma estão:
Outro ponto importante é que a nova NR-1 deixa de ter caráter apenas reativo e passa a exigir postura preventiva das empresas. Ou seja, os bancos terão obrigação de agir antes que o adoecimento aconteça.
A diretora do Sindicato e secretária de Saúde da FETEC-CUT/SP, Rosângela Lorenzetti, destaca que a efetividade da nova NR-1 dependerá diretamente da participação real dos trabalhadores na construção das medidas de prevenção.
“A nova NR-1 determina a participação efetiva dos trabalhadores em todo o processo de construção do PGR, porque são eles que vivenciam diariamente os processos de trabalho, conhecem a realidade das atividades e conseguem identificar os riscos presentes no ambiente laboral. No setor bancário, isso é ainda mais urgente diante dos altos índices de adoecimento mental causados por metas abusivas, pressão constante e sobrecarga. Nenhum programa de prevenção terá efetividade se os bancários não forem ouvidos. É fundamental que os bancos apresentem com transparência como construíram seus programas de gerenciamento de riscos e de que forma garantirão a participação dos trabalhadores, para que a NR-1 não fique apenas no papel”, afirma Rosângela.
O secretário de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato, André Luiz de Souza, reforça que, embora as Normas Regulamentadoras sejam discutidas em instâncias tripartites, garantir a participação dos trabalhadores é fundamental para que a nova norma não se transforme apenas em mais uma obrigação burocrática, sem impacto concreto na rotina dos trabalhadores.
“A participação dos bancários e demais categorias é essencial para que os riscos sejam realmente identificados e enfrentados. Somente este envolvimento ativo na discussão e definição das medidas preventivas permitirá a adoção de soluções efetivas e compatíveis com a realidade do ambiente de trabalho. Especificamente no caso dos bancários, os bancos precisam parar de tratar saúde mental apenas no discurso e assumir responsabilidade prática no combate ao assédio, às metas abusivas e à sobrecarga que adoecem a categoria diariamente”, destaca André.
O período até maio de 2026 foi considerado educativo. Agora, os primeiros 90 dias terão caráter orientativo para adequação das empresas. Após esse prazo, começam as fiscalizações do Ministério do Trabalho, com possibilidade de multas e punições para quem descumprir as exigências.
O Sindicato acompanhará de perto a aplicação da nova norma e reforça a importância de os trabalhadores denunciarem situações de assédio, pressão excessiva e condições que coloquem em risco sua saúde física e mental. Saúde mental não é privilégio, é direito!

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