
A pressão absurda por metas de vendas de produtos bancários no Itaú não para de aumentar. Tal situação está levando os bancários da instituição a adoecerem e cometerem erros, que em última instância podem levá-los a perder o emprego.
Nas últimas semanas, o movimento sindical recebeu diversos trabalhadores que foram contatados, ou até mesmo desligados, pela Gerência de Inspetoria do Itaú. Em alguns casos, estes trabalhadores não deveriam nem mesmo ter sido acionados, uma vez que se tratam de reclamações de clientes que realizaram a contratações de produtos bancários seguindo todos os procedimentos de segurança.
Já em outros casos, bancários foram demitidos por descumprimento da Política Corporativa de Prevenção a Atos Ilícitos. Entretanto, na grande maioria destes casos, este descumprimento – especialmente em vendas de Consórcios e Seguros, itens que geraram vários desligamentos nas últimas semanas - é resultado de erros cometidos pelo trabalhador por conta da enorme pressão para bater metas abusivas e falta de treinamento com foco na RP-50.
A representação dos trabalhadores atenta para a questão de que, apesar de cada agência ter as suas especificidades, que não permitem que tenham os mesmos resultados que outras unidades, a mensuração dos resultados no GERA não leva isso em consideração. Também não são considerados obstáculos que fogem da alçada do bancário. Em novembro, por exemplo, o banco realizou a adequação do seu servidor, tornando o sistema inoperante por vezes nas agências; houve feriados; jogos do Brasil na Copa; e as metas não diminuíram.
GERA
O Itaú incentiva que os bancários busquem pontuações bem acima dos 1.000 pontos no GERA, que na teoria seria a meta de empregabilidade. Ocorre que, caso o trabalhador entregue somente os 1.000 pontos, é enquadrado como “baixa performance”. Já os que entregam 1.200 pontos, vislumbrando uma remuneração variável melhor, passam também a ser pressionados a pontuarem cada vez mais.
O que interessa para o banco são as performances de 1.300, 1.400, 1.500 e até 1.600 pontos. Os bancários que não alcançam essas ‘super performances’ são pressionados a buscar de qualquer forma tais resultados. Afinal, para o Itaú, se alguns conseguem, todos deveriam conseguir. Este é um falso discurso meritocrático, uma vez que especificidades de cada unidade, assim como do período avaliado, não são levadas em conta.
Adoecimento e demissão
De acordo com a representação dos trabalhadores, estes funcionários, quando não adoecem, incidem em erros. E, quando ‘investigados’ pela Gerência da Inspetoria, são demitidos. Uma forma do banco passar a imagem de que não compactua com ‘desvios’. Porém, o Itaú não atua na causa destes erros, que é justamente uma gestão onde sobra pressão por metas absurdas e faltam mensuração e treinamento adequados, nos quais os bancários possa de fato vender produtos bancários de acordo com o perfil do cliente. Faltam também ações, e tempo, para que o bancário se mantenha informado sobre a Política Corporativa de Prevenção a Atos Ilícitos; Regras Conheça seu funcionário; e RP-50, Regras de Orientação e Aplicação de Medidas Disciplinares.
Omissão e bodes expiatórios
Matéria divulgada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo e região informa que bancários demitidos alegam que foram penalizados por práticas comuns e que gestores compactuam com as mesmas. Por trás desta postura, está a pressão absurda e ameaças de demissão que os trabalhadores são submetidos rotineiramente nas agências. De acordo com as denúncias dos trabalhadores, muitas performances fora da curva não estão totalmente em conformidade com as regras, que gestores fazem vista grossa e, quando alguma situação cai na Gerência de Inspetoria, um trabalhador é feito de bode expiatório e demitido.
O movimento sindical cobra que o Itaú reveja esse modelo de gestão. Por exemplo, o trabalhador poderia ter a autonomia de focar em itens de pontuação maior, ao invés de ser pressionado pela venda de itens como Consórcios e Seguros, rentáveis, mas com pontuação menor. Além disso, é necessário que sejam consideradas as especificidades de cada agência e do período. Enfim, este modelo de gestão tem diversos erros graves que precisam ser corrigidos. O que é inadmissível é que o bancário perca o emprego e a saúde por conta de um modelo de gestão que o massacra.

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