
A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) lança, nesta terça-feira (14), a cartilha “Organização sindical diante das transformações do sistema financeiro”, publicação que analisa as mudanças estruturais no setor e apresenta orientações para fortalecer a organização sindical diante das novas formas de trabalho no sistema financeiro.
O material foi elaborado com o objetivo de apoiar sindicatos na ampliação da representação dos trabalhadores e trabalhadoras do setor, diante da expansão de novas instituições e modelos de negócio do ramo financeiro, como fintechs, cooperativas de crédito, instituições de pagamento e empresas de tecnologia financeira.
A publicação também marca um processo histórico iniciado há duas décadas, quando a Confederação Nacional dos Bancários (CNB-CUT) se transformou em Contraf-CUT, ampliando a atuação para todo o ramo financeiro como estratégia para fortalecer a organização sindical e a defesa de direitos da classe trabalhadora.
> Veja o vídeo sobre os 20 anos de história da Contraf-CUT e das organizações sindicais que a geraram:
Mudanças profundas no sistema financeiro
Segundo a cartilha, o sistema financeiro brasileiro passou por profundas transformações nas últimas décadas, impulsionadas pela digitalização das operações, pelo avanço da inteligência artificial, por mudanças regulatórias e pela expansão de novas empresas que oferecem serviços financeiros fora do modelo bancário tradicional.
Essas mudanças alteraram o perfil do emprego no setor, ampliando a presença de trabalhadores em áreas de tecnologia, plataformas digitais e empresas não classificadas formalmente como bancos. Ao mesmo tempo, houve redução de postos de trabalho tradicionais e crescimento de formas de contratação mais precarizadas, como terceirização, pejotização e trabalho autônomo.
Nesse cenário, a organização sindical do ramo financeiro, e não apenas da categoria bancária tradicional, passa a ser estratégica para garantir representação coletiva, negociação e proteção de direitos.
Instrumento de orientação para sindicatos
A secretária de Organização do Ramo Financeiro e Política Sindical da Contraf-CUT, Magaly Fagundes, explica que a cartilha foi construída para servir como um instrumento prático de orientação para as entidades sindicais.
“Este material foi elaborado para servir como uma base de orientação para os sindicatos que querem avançar na organização do ramo financeiro em suas bases. Mais do que um documento teórico, ele apresenta caminhos, instrumentos legais e estratégias políticas que podem ser adaptadas à realidade de cada entidade”, destaca Magaly.
Segundo ela, o material busca estimular debates internos nas entidades e apoiar processos de ampliação da base de representação sindical.
“A organização do ramo financeiro é um processo contínuo, que exige planejamento, unidade e persistência. A cartilha é um ponto de partida para que os sindicatos debatam estratégias e avancem com segurança na construção dessa representação mais ampla”, acrescenta.
Estratégias para ampliar a organização do ramo
A cartilha apresenta análises sobre o funcionamento do Sistema Financeiro Nacional e discute caminhos para adaptação sindical diante das transformações do setor.
O material também reúne experiências de sindicatos de diversas regiões do país que já avançaram na organização de trabalhadores do ramo financeiro, demonstrando que a ampliação da base sindical é possível mesmo diante de um cenário de fragmentação do setor.
Fortalecer a unidade para defender direitos
Para a Contraf-CUT, fortalecer a organização sindical do ramo financeiro é essencial para enfrentar desafios como automação, precarização das relações de trabalho e fragmentação das categorias.
A publicação reforça que a ampliação da organização sindical é um passo fundamental para garantir direitos, fortalecer a negociação coletiva e assegurar que todos os trabalhadores e trabalhadoras do sistema financeiro tenham representação e proteção sindical.
A cartilha “Organização sindical diante das transformações do sistema financeiro” foi produzida com base em estudos, dados do Dieese e contribuições de especialistas e dirigentes sindicais, e será disponibilizada às entidades filiadas para apoiar o debate e a construção de estratégias de organização do setor.

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