
O número de bilionários cresceu em 7% ao redor do mundo, no ano passado, saltando de 2.376 para 2.544. Os dados são do relatório Billionaire Ambitions Report 2023, lançado recentemente pelo banco suíço UBS. O documento também aponta que, juntos, os bilionários somam US$ 12 trilhões, equivalente a 12% do total do PIB mundial. Além disso, foi a primeira vez que os novos bilionários herdaram mais riqueza do que criaram.
Ao mesmo tempo, o 1% mais rico detém 19% do PIB mundial. Foi o que revelou o relatório The World Inequality Report 2022, lançado pelo Laboratório das Desigualdades Mundiais da Escola de Economia de Paris. Por outro lado, os 50% que foram a base da pirâmide detém apenas 8,5% da riqueza global.
Na mão de poucos
O economista Ricardo Guedes, CEO do instituto de pesquisa Sensus, destaca a concentração inédita de poder econômico. E que também se traduz em poder militar, político e até intelectual. “Nunca estivemos, ao longo de nossos 200 anos de capitalismo industrial, na mão de tão poucos”, escreveu em artigo publicado na semana passada no site Metrópoles.
“É hora de se pensar em uma Sociologia dos Bilionários, para o melhor entendimento da economia atual, das consequências da economia sobre a ecologia, e das guerras que se acentuam”, alerta o economista. “As guerras e os danos ao meio ambiente se tornam mais incidentes, por serem movidos pelas decisões de poucos; e mais imprevisíveis em seus possíveis resultados”.
O Brasil aparece na 10ª colocação no ranking mundial de bilionários do UBS, com 45 no total. Por outro lado, Guedes destaca que o país aparece na 154ª posição no índice de Gini, que mede a distribuição de riqueza. Ao mesmo tempo, está na 87ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), da ONU. A discrepância revela os efeitos perversos da concentração de renda.
Tributar é urgente
Para a Campanha Tributar os Super-Ricos, é urgente taxar essa minoria que controla os destinos do mundo. “(Os bilionários) geram pobreza e desigualdade, destroem a natureza, decidem as guerras, concentram renda e patrimônio, derrubam democracias e mandam nos países”, denunciam as mais de 70 organizações sociais, entidades e sindicatos que compõem o movimento. “Problemas comuns merecem soluções coletivas: a taxação mundial da riqueza é prioridade para a humanidade”.

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