
O VIII Fórum Nacional pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro encerrou-se na última sexta-feira (7), em Fortaleza (CE), com a aprovação unânime da Carta de Fortaleza, um documento que reúne propostas estratégicas para o enfrentamento do racismo e a promoção da igualdade racial no setor financeiro.
Realizado na sede do Sindicato dos Bancários do Ceará, o encontro reuniu cerca de 120 delegados e delegadas de sindicatos e federações de trabalhadores do ramo financeiro de todo o país, consolidando-se como um dos espaços mais importantes de reflexão e formulação de políticas de combate à discriminação racial.
Durante dois dias de debates, painéis, exposições e trocas de experiências, o Fórum aprofundou temas como desigualdade racial, políticas afirmativas, condições de trabalho, violência estrutural e os desafios trazidos pela transformação digital e pela inteligência artificial. As discussões resultaram na elaboração de uma agenda que reafirma o compromisso do movimento sindical bancário com a construção de um sistema financeiro mais justo, inclusivo e representativo da diversidade brasileira.
A Carta de Fortaleza propõe uma série de ações que serão levadas às minutas de reivindicações da categoria, com desdobramento nas conferências regionais e nacional da Campanha 2026, garantindo que a luta por igualdade racial se traduza também em conquistas na Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários.
Entre as propostas aprovadas estão:
- Realizar formações com temática racial, em parceria com a Secretaria de Formação Sindical;
- Propor projetos de financiamento permanentes para o Fórum Nacional pela Visibilidade Negra e demais ações de formação;
- Incluir trabalhadores terceirizados nas ações e debates sobre racismo;
- Promover atos e manifestações em todas as datas relacionadas à luta racial, com o slogan “Vamos abolir a discriminação e promover a inclusão, por mais contratação de negros e negras nos bancos”;
- Criar e fortalecer Coletivos de Combate ao Racismo em federações e sindicatos;
- Construir protocolos antirracistas com amparo psicológico e jurídico às vítimas de racismo no ambiente de trabalho;
- Acompanhar e monitorar a inserção e ascensão de pessoas negras no sistema financeiro e no movimento sindical;
- Estabelecer parcerias com movimentos negros e realizar audiências públicas sobre a temática racial;
- Defender a implementação da Lei 10.639/2003, que obriga o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas;
- Cobrar do Estado ações concretas contra o racismo estrutural, a desigualdade e a letalidade da juventude negra;
- Realizar o Fórum Nacional pela Visibilidade Negra anualmente e de forma itinerante.
Para a secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT, Elaine Cutis, o evento cumpriu plenamente seu papel ao unir formação, mobilização e encaminhamentos práticos. “Este Fórum superou as expectativas. Saímos daqui com mais consciência, mais formação e, principalmente, com ações objetivas construídas coletivamente. É um passo importante para manter o debate racial no centro da ação sindical e transformar realidades dentro dos bancos”, afirmou.
Os dados apresentados durante o Fórum reforçaram a urgência de políticas efetivas: mulheres negras recebem, em média, 53% a menos que outros trabalhadores, e a juventude negra representa 79% das vítimas de homicídios registrados em 2024.
Para o secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar, o encontro foi fundamental para consolidar o acúmulo de diagnósticos e propostas que o movimento sindical vem construindo ao longo dos anos. “O Fórum mostrou, com precisão, que a luta contra o racismo precisa ser permanente e estruturada. Debatemos dados duros, ouvimos especialistas e, principalmente, construímos caminhos para avançar. A Carta de Fortaleza é um instrumento poderoso, porque traduz indignação em ação, análise em compromisso”, destacou.
Almir também reforçou que o sistema financeiro precisa enfrentar sua histórica desigualdade interna. “Sabemos que a presença negra ainda está concentrada nas bases dos bancos, e isso não é aceitável. A partir deste Fórum, reforçamos a exigência de políticas reais de inclusão, formação e ascensão profissional. É desta maneira que precisamos transformar o sistema financeiro e contribuir para transformar a sociedade”, concluiu.
O VIII Fórum Nacional pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro marcou simbolicamente o início do Mês da Consciência Negra, reafirmando o compromisso da Contraf-CUT e das entidades sindicais com a memória de Zumbi dos Palmares, a luta antirracista e a construção de um país mais igualitário.

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