
O Comando Nacional dos Bancários se reunirá, na próxima terça-feira (2), com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para debater o tema "cláusulas sociais", na segunda mesa de negociações, como parte das negociações da Campanha Nacional de 2024 para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. As discussões vão se concentrar na reivindicação por jornada reduzida para quatro dias da semana, mas também serão debatiodos os temas teletrabalho e segurança física e segurança digital no setor bancário.
"A categoria bancária defende a jornada de quatro dias semanais, sem a redução salarial, com a manutenção da abertura dos bancos e oferta de serviços de segunda a sexta-feira, porque isso já é possível com os avanços tecnológicos. A tecnologia não pode servir somente aos lucros dos bancos, como está acontecendo: os bancos aumentando seus lucros, ano após ano, com redução de postos de trabalho e, quando contratam, são trabalhadores terceirizados, com menos direitos", explica a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira.
Um relatório feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em estudos e programas pilotos no Brasil e em outros países, liderados pela organização não governamental 4 Day Week Global, revela que a redução da jornada para quatro dias, além de proteger empregos, melhora a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores, portanto, é bom também para as empresas.
"Vamos apresentar essas informações na mesa. O mundo mudou, o mercado mudou, mas as mudanças tecnológicas, sem a participação social, têm aumentado a concentração de renda e isso não é diferente num setor tão intensivo em tecnologia, como é o setor financeiro", avalia Juvandia.
"É importante para nós, como sociedade, entender que todos nós contribuímos com os avanços da tecnologia, criando e utilizando, no trabalho e no dia a dia. Logo, nada mais justo do que o compartilhamento e democratização dos ganhos financeiros tecnológicos. E é para isso que chamamos atenção, não só para alcançar novas conquistas na CCT da categoria, mas para lançar mais luz sobre o tema, e auxiliar todos os demais trabalhadores e trabalhadoras do país. Por isso, nossa unidade na campanha é também relevante ao país", reforçou.
Outras pautas da mesa
Os trabalhadores também levarão para mesa reivindicações sobre teletrabalho e segurança física e digital no setor bancário.
Em relação ao teletrabalho, a categoria é atualmente referência sobre o tema, depois de ter se tornado a primeira, em 2022, a conquistar 12 cláusulas que garantem a saúde e a dignidade do trabalhador no home office. No conjunto, as cláusulas abrangem direitos, ambiente doméstico, equipamentos e mobiliário adequados, respeito à jornada, auxílio financeiro para compensar o aumento de gastos em casa e prevenção a abusos e assédio.
"Apesar de estas conquistas estarem em nossa CCT, os bancos ainda precisam avançar em cláusulas que contemplam os trabalhadores no home office", explica Juvandia Moreira.

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