
Na semana em que foi realizada grande mobilização nacional em defesa do Saúde Caixa, como o Dia Nacional de Luta em Defesa do Saúde Caixa, a Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) e representantes do banco voltaram a se reunir na última sexta-feira (19), para mais uma mesa de negociação sobre o plano de saúde e outros temas relevantes sobre os direitos dos trabalhadores.
O encontro, realizado presencialmente em Brasília (DF), teve como foco o cenário atual do plano, os desafios para sua sustentabilidade e a cobrança por uma proposta concreta por parte do banco, que, até o momento, não apresentou nenhuma para resolver o impasse.
Os representantes dos empregados reafirmaram que não aceitarão propostas que alterem os princípios do plano, como solidariedade, mutualismo e pacto geracional, e cobraram que a Caixa retome a proporção histórica de financiamento 70/30, bem como um aporte imediato do banco para garantir reajuste zero em 2025.
“Aproveito aqui para destacar os resultados positivos do balanço do banco, apresentados nesta semana, que reforçam a necessidade de valorização dos empregados. Nossa defesa é pelo reajuste zero, pelo efetivo cumprimento do modelo 70/30 e pelo aumento da participação da Caixa no aporte ao Saúde Caixa. Queremos que a Caixa contribua mais, e reforçamos nossa proposta de reajuste zero. Seguimos aguardando a apresentação de uma proposta concreta”, afirmou Felipe Pacheco, coordenador da CEE/Caixa.
Após finalmente ter acesso aos dados, a empresa atuarial contratada pela representação dos empregados apontou cenários atuariais onde o aumento da participação da Caixa para 70%, mantido a premissa de não reajuste para os empregados, o plano voltaria a apresentar superávits nos anos de 2026 e 2027. Dados compilados pela Comissão Executiva dos Empregados mostram que, o modelo de custeio atualmente vigente é insustentável a longo prazo. Por outro lado, se a Caixa tivesse preservado o modelo 70/30 nos últimos três anos, o plano teria se mantido equilibrado e registrado superávits.
Na reunião, a Caixa voltou a expor dados atuariais que apontam o envelhecimento acelerado da população atendida pelo plano. Segundo a Caixa, atualmente, quase 30% dos beneficiários têm mais de 59 anos, percentual que pode chegar a 40% até 2030, além do crescimento contínuo das despesas assistenciais.
Ainda de acordo com os representantes do banco, a combinação desses fatores, aliada ao modelo de custeio vigente, gera riscos de seleção adversa e déficits crescentes nos próximos anos. A instituição reiterou medidas já implementadas, como auditoria e segunda opinião em procedimentos de alto valor, fortalecimento da telemedicina, credenciamento direto de materiais e fornecimento direto de medicamentos oncológicos, ações que, segundo a apresentação, já resultaram em economia expressiva.
“Nós não abriremos mão das nossas conquistas, principalmente em relação às premissas do Saúde Caixa, como o pacto intergeracional, que é um direito conquistado por nós, empregados e empregadas da Caixa”, afirma Cardoso, vice-presidente da Fenae e representante da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Minas Gerais (Fetrafi-MG).
Rafael de Castro, diretor da Contraf-CUT, diretor da Fenae e membro da Comissão, declarou: “Vivemos um momento pesado no país, tudo está em disputa. Queremos harmonia e negociação. O respeito entre empresa, empregados e representação é fundamental, e o diálogo precisa acontecer. Estamos em setembro, nossa data-base, e viemos com expectativa de proposta. Nosso pleito é claro: reajuste zero, retirada do teto 6,5% e retorno da contribuição 70/30”.
“Registro a decepção dos nossos colegas que aguardavam uma proposta hoje. Essa já é a terceira mesa de negociação e a Caixa ainda não apresentou nenhuma proposta, apenas projeções que só oneram os empregados”, declarou Luiza Hansen, representante da Federação dos Bancários da CUT do Estado de São Paulo (Fetec-CUT/SP) e do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. “A representação dos empregados insiste que qualquer revisão do plano deve garantir a manutenção dos direitos conquistados, sem onerar ainda mais os trabalhadores. Reforço aqui que é imprescindível o aporte do banco para viabilizar o reajuste zero e a volta do modelo 70/30”, completou Chay Cândida, representante da Fetrafi/NE.
Outra reivindicação apresentada ao banco por Edson Heemann, representante da Fetrafi/SC e Sindicato dos Bancários de Blumenau, foi com relação à extensão do Saúde Caixa depois da aposentadoria aos admitidos pós-2018.
“É fundamental garantir igualdade de tratamento para todos os empregados da Caixa. A gente lembra que, lá em 2020, só com muita pressão conseguimos incluir os colegas admitidos depois de 2018 no Saúde Caixa. Mesmo assim, o banco continua se negando a contribuir com sua parte quando esses trabalhadores se aposentam, obrigando-os a arcar com 100% do custo do plano se quiserem mantê-lo. Isso cria, na prática, duas categorias dentro do banco. Não há mais impedimento legal para estender o Saúde Caixa na aposentadoria aos pós-2018, trata-se de uma questão de justiça e respeito com mais de 14 mil colegas que ajudaram a construir o banco e merecem os mesmos direitos dos admitidos antes daquele ano”.
A Caixa ficou de apresentar proposta sobre o Saúde Caixa em até, no máximo, 15 dias, em nova rodada de negociação. Na próxima quinta-feira, 25 de setembro, os representantes dos empregados convocam para uma nova mobilização e mais um Dia Nacional de Luta em Defesa do Saúde Caixa.
Mais informações
Dirigentes seguem reunidos avaliando a mesa sobre condições de trabalho (garantias para caixas e tesoureiros, PLR, home office, fechamento de agências, SuperCaixa) e os próximos passos de mobilização para a próxima semana.
O texto seguirá em atualização. Fique ligado nos nossos canais de comunicação!

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