
O Sindicato dos Bancários de Araraquara e região esteve presente, nesta segunda-feira (30), na audiência pública “6×1 Não! Uma nova jornada pela vida e trabalho”, realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O encontro, convocado pelo deputado estadual Luiz Claudio Marcolino, reuniu representantes sindicais de diversas categorias, além do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, para discutir a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 no Brasil.
A participação do Sindicato reforça o compromisso da entidade com um debate que ganha cada vez mais força no país. A expectativa é que propostas sobre o tema avancem no Congresso Nacional nos próximos meses, impulsionadas pela crescente mobilização social diante de um modelo de trabalho que tem gerado sobrecarga, adoecimento e perda de qualidade de vida para milhões de trabalhadores.
Durante a audiência, foi destacado que a discussão sobre jornada não pode ser limitada à lógica econômica. Trata-se de garantir condições dignas de vida, com mais tempo para a família, para o descanso, para o lazer e para o desenvolvimento pessoal e profissional. O atual modelo, baseado em longas jornadas e poucas pausas, tem impacto direto no aumento de doenças, especialmente as relacionadas à saúde mental.
Outro ponto central do debate foi o avanço de propostas que buscam não apenas o fim da escala 6×1, mas também a construção de novas alternativas, como a jornada 4×3. Nesse cenário, a tecnologia aparece como elemento decisivo: em vez de ser utilizada apenas para ampliar lucros e reduzir postos de trabalho, deve servir para melhorar a vida das pessoas, permitindo jornadas mais equilibradas e sustentáveis.
Mesmo em categorias que possuem direitos consolidados, como a bancária, os ataques persistem. Um exemplo citado foi a tentativa do Santander, durante a pandemia, de impor o trabalho aos sábados sem negociação coletiva e sem o pagamento de horas extras. A resposta do movimento sindical foi imediata, com ações na Justiça do Trabalho que garantiram decisões favoráveis e impediram mais esse retrocesso.
A preocupação se mantém atual. Há pressões constantes para flexibilizar a legislação e autorizar a abertura dos bancos aos sábados, o que, na prática, significaria a substituição da jornada 5×2 pela escala 6×1 — uma mudança que ampliaria a exploração e reduziria ainda mais o tempo de descanso da categoria.
Também foi enfrentada, ao longo da audiência, a narrativa de que a redução da jornada poderia prejudicar a economia. Esse argumento, historicamente utilizado por setores da elite econômica e da extrema direita, foi contestado com base em experiências internacionais e estudos que demonstram exatamente o contrário: jornadas menores contribuem para aumentar a produtividade, reduzir afastamentos e melhorar o ambiente de trabalho.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Araraquara e região, Paulo Roberto Redondo, a luta pela redução da jornada é uma pauta que dialoga com toda a classe trabalhadora. “Não estamos falando apenas de carga horária, mas de qualidade de vida. O trabalhador precisa ter tempo para viver, para estar com a família, para estudar e cuidar da saúde. A tecnologia precisa servir às pessoas, e não apenas ao lucro. O Sindicato está ao lado dessa luta porque entende que dignidade se constrói com direitos e com respeito à vida”, destacou.

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