
A coluna do Broadcast, publicada no jornal O Estado de S.Paulo, revelou que 74% dos clientes brasileiros ainda preferem recorrer às agências físicas para a contratação de serviços bancários mais complexos. Segundo pesquisa da Accenture sobre tendências do setor, essa preferência se evidencia especialmente em decisões de longo prazo, como a compra de um imóvel ou o planejamento familiar.
Os dados reforçam a importância do atendimento presencial, sobretudo em operações de maior valor ou complexidade, nas quais o contato direto entre bancário e cliente garante mais clareza nas informações e fortalece a confiança. Em situações problemáticas, como fraudes ou insatisfação com serviços, a interação olho no olho segue sendo um elemento fundamental para a resolução de demandas.
Ao mesmo tempo, o cenário do setor bancário aponta para uma contradição: instituições que operam como concessões públicas e acumulam lucros expressivos mantêm uma política contínua de fechamento de agências. Essa prática tem impactos diretos sobre trabalhadores e clientes, com a eliminação de postos de trabalho, a sobrecarga de funcionários em outras unidades e a redução do acesso ao atendimento presencial, especialmente para a população com menor acesso à internet. Também há reflexos negativos sobre o comércio e a economia local, além do aumento da vulnerabilidade dos clientes a fraudes em canais digitais.
Entre 2015 e 2024, esse movimento resultou na redução de mais de 80 mil postos de trabalho na categoria bancária, evidenciando o avanço de uma lógica de enxugamento que compromete tanto o atendimento quanto as condições de trabalho.
Paralelamente, observa-se uma reconfiguração da presença física dos bancos, com a abertura de unidades mais especializadas, voltadas principalmente ao público de alta renda e ao mercado de investimentos. Essa estratégia confirma que o atendimento presencial segue valorizado, mas evidencia a priorização de segmentos mais rentáveis, em detrimento da ampla maioria da população.
Enquanto isso, cooperativas de crédito e fintechs ampliam significativamente sua atuação, ocupando o espaço deixado pelos bancos tradicionais. O número de pontos de atendimento das cooperativas mais que dobrou na última década, acompanhado pelo crescimento expressivo do número de trabalhadores. As fintechs também registraram expansão acelerada, alcançando milhares de empresas em operação no país.
Esse movimento tem levado à migração de trabalhadores para essas instituições, muitas vezes desempenhando funções equivalentes às dos bancários, porém com remuneração inferior e menos direitos, o que levanta a necessidade de uma regulação mais equilibrada no sistema financeiro, capaz de garantir condições justas a todos os trabalhadores do setor.
Diante do fechamento contínuo de agências — que, entre 2015 e 2025, ocorreu em média no ritmo de 45 unidades por mês e deixou centenas de municípios sem atendimento bancário — iniciativas de mobilização buscam pressionar por mudanças nesse cenário. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, por exemplo, lançou a campanha “Eu quero mais agências”. A iniciativa busca mobilizar trabalhadores e clientes por meio de um abaixo-assinado, com o objetivo de pressionar o setor a rever essa política.
> Acesse o site da campanha Eu quero mais agência e participe do abaixo-assinado
A defesa da ampliação da rede de agências se conecta diretamente à garantia de atendimento de qualidade, à preservação de empregos e ao fortalecimento da economia local, especialmente em regiões periféricas e pequenos municípios.

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