
O 7º Congresso Nacional da Contraf-CUT teve início na noite de sexta-feira (27), no Guarujá (SP), reunindo lideranças sindicais de todo o país e representantes de entidades nacionais e internacionais em um momento marcado por desafios políticos e sociais.
Representando os bancários e bancárias de Araraquara e região, participou o presidente do Sindicato, Paulo Roberto Redondo.

O presidente do Sindicato, Paulo Roberto Redondo (ao centro, de verde claro), juntamente com representantes
de demais sindicatos do estado de São Paulo filiados à Fetec-CUT/SP
Manifesto contra o assédio e a violência
Antes da abertura, houve a leitura do manifesto da Contraf-CUT de tolerância zero para casos de violência e assédio. A leitura foi realizada pela comissão estabelecida pela entidade, formada por Fernanda Lopes, secretária da Mulher da Contraf-CUT; Katia Cadena, diretora executiva da Contraf-CUT; e Rosalina Amorim, dirigente da Executiva da Contraf-CUT.
A cerimônia contou com a participação de diversas lideranças, que ressaltaram a importância da unidade, da democracia e da mobilização da classe trabalhadora diante do atual cenário.
Desafios para a classe trabalhadora
A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, abriu o Congresso destacando a importância da organização da categoria bancária e da classe trabalhadora para enfrentar os desafios políticos e econômicos do país e ressaltou que os 20 anos da Contraf-CUT representam apenas parte de uma trajetória histórica de mobilização e conquistas.
“Nós comemoramos hoje os 20 anos da Contraf, mas na verdade estamos comemorando uma história muito maior, que começou bem antes e teve muita gente que construiu”, afirmou.
Ao fazer um balanço da gestão, Juvandia lembrou que o período foi marcado por fortes ataques aos direitos trabalhistas e às instituições democráticas. Segundo ela, a entidade atuou na resistência em defesa da democracia, da soberania nacional, dos bancos públicos e da organização sindical.
Para a presidenta da Contraf-CUT, o momento exige mobilização da categoria e da sociedade diante da polarização política e do avanço da extrema direita em vários países. “É uma eleição importante para o Brasil e para o mundo”, afirmou.
Juvandia também destacou os impactos das transformações tecnológicas no sistema financeiro e a necessidade de adaptar a organização sindical a esse novo cenário. “Mudou tudo: o jeito que nos comunicamos, compramos e fazemos negócios. Mudou também a forma como precisamos nos organizar”, disse.
Ao final, a dirigente reforçou o chamado à mobilização da categoria. “Nosso slogan diz que ‘o futuro é nosso’. E, se o futuro é nosso, quem faz e organiza somos nós”, concluiu.
A presidenta da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito de São Paulo (federação anfitriã), Aline Molina, deu as boas-vindas aos participantes e destacou o simbolismo da realização do congresso em São Paulo diante do cenário político estadual e nacional. Ela também reforçou a importância da organização política da classe trabalhadora e da eleição de representantes comprometidos com os direitos sociais.
Importância das eleições de outubro
“É muito importante que a gente receba este congresso no estado de São Paulo, pois estamos vivendo aqui um governo que representa a base do fascismo brasileiro. Precisamos lutar por essa democracia, mesmo que burguesa, para que nossos filhos, netos e bisnetos possam avançar para uma democracia verdadeira. A Contraf-CUT tem 20 anos, mas representa toda a luta da categoria bancária nos últimos 40 anos. Que tenhamos mais décadas de conquistas.”
O presidente da CUT, Sergio Nobre, disse que o grande desafio da classe trabalhadora neste ano é a ganhar as eleições de outubro. “Essa eleição é ganhar ou ganhar, porque a gente não pode nem pensar em perder essa eleição. O que tá na nossa memória, todo mundo aqui é da política. A gente não precisa dizer o que significaria uma derrota. Tá na nossa memória o que foi o período do golpe”, disse.
Sergio Nobre diz estar convencido que as redes sociais terão papel fundamental na disputa eleitoral. “Eles não vão permitir que haja debate e comparação de projeto, porque a comparação do que fez o presidente Lula nesses quatro anos e a tragédia que eles produziram do golpe para cá não tem comparação. Então eles vão querer jogar a campanha na lata do lixo. Muito ataque pessoal, muita fake news e utilizando as redes sociais”.
A vice-presidenta da Federação dos Bancários dos Estados da Bahia e Sergipe e representante da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Thaise Mascarenhas, ressaltou a necessidade de combater práticas de violência e assédio dentro das organizações e valorizou a leitura do manifesto apresentada na abertura. Também apontou a importância da construção da Campanha Nacional da categoria em um ano decisivo.
“Precisamos exigir respeito e mudar dentro da nossa casa e nas nossas centrais para que isso não aconteça mais. Vocês estão de parabéns”, afirmou ao elogiar o manifesto das mulheres. “Este é o momento em que começa a construção da nossa Campanha Nacional. Precisamos garantir nossos direitos e avançar.”
O secretário de Finanças da Intersindical Central da Classe Trabalhadora, Manoel Elídio Rosa, contextualizou o cenário global e regional, destacando os desafios enfrentados pelos trabalhadores na América Latina e reforçando a importância da defesa da soberania, dos direitos sociais e da democracia.
“Vivemos uma instabilidade muito grande. Na América Latina, temos duas tarefas fundamentais: combater o imperialismo e defender os direitos democráticos e sociais conquistados após a Constituição de 1988. Precisamos dialogar com os trabalhadores e afirmar que é possível uma vida melhor, mas isso exige firmeza na defesa da soberania e da democracia, hoje sob ataque do fascismo.”
Importância de todos e de cada um
O presidente da Fenae, Sergio Takemoto, lembrou que, no início de março, a entidade realizou o evento Inspira Fenae, inspirado em um poema de João Cabral de Melo Neto, relacionando o tema ao lema do congresso.
“Um galo sozinho não tece uma manhã, ele precisa sempre de outros galos. Nós precisamos estar em comunhão para construir esse futuro, porque ele começa a ser construído aqui.” Em seguida, provocou a reflexão: “Mas qual o futuro que queremos? Um futuro com justiça social e solidariedade, diferente do caminho que vemos hoje.”
Angelo Di Cristo, chefe da UNI Finanças Mundial, ressaltou o papel dos sindicatos na defesa da democracia, dos direitos e da dignidade da classe trabalhadora diante das transformações tecnológicas.
“Estamos aqui para dizer, em alto e bom som: nunca mais! A Contraf-CUT é um bastião na defesa da democracia. Diante das novas tecnologias e da inteligência artificial, sindicatos fortes precisam assumir a liderança para evitar o aumento da desigualdade e da discriminação e, sobretudo, defender os empregos. Devemos ser digitais, mas permanecer humanos.”
O diretor regional da UNI Américas e representante da delegação internacional, Márcio Monzane, fez um alerta sobre o cenário global e a disputa de projetos de sociedade, destacando a importância da organização dos trabalhadores frente ao avanço de modelos autoritários.
“Estamos disputando o futuro em um momento muito complexo. De um lado, há uma elite conservadora que defende um Estado que não serve à população; de outro, um modelo que prioriza o emprego e o bem-estar social. Precisamos enfrentar o avanço de modelos autocráticos e o intervencionismo que temos visto na América Latina.”
A presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, destacou conquistas históricas da categoria bancária e o compromisso com a construção de um país mais justo.
“Tenho certeza de que todos os delegados e delegadas que estão aqui vieram atualizar o plano de luta da nossa confederação com o coração cheio de vontade de reforçar o compromisso com nossas bandeiras: um Brasil mais digno, mais igualitário, sem violência de gênero, sem homofobia, sem feminicídio, com igualdade de oportunidades e salário justo para todos.”
O coordenador-geral da Federação dos Trabalhadores em Instituições Financeiras de Santa Catarina, Marco Aurélio Silveira Silvano, ressaltou a importância histórica dos 20 anos da Contraf-CUT e os desafios impostos pelas transformações recentes, especialmente tecnológicas e políticas, defendendo também a necessidade de autocrítica e mobilização.
“Passamos por muitas transformações no mundo do trabalho e na tecnologia, além de termos enfrentado ameaças à democracia. Um dos grandes desafios é superar a resignação. Precisamos organizar a classe trabalhadora, fazer uma análise crítica do nosso papel e retomar a luta com força para defender nossos direitos.”
A vice-presidenta da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, Ana Stela Alves de Lima, destacou o peso político do congresso em um ano eleitoral e a importância da unidade para ampliar conquistas.
“O ano é muito importante para todos nós. Com união, podemos alcançar resultados relevantes, como a Contraf tem feito ao avançar em pautas que não dizem respeito apenas aos bancários, mas a toda a sociedade.”
Encerrando as falas, o presidente da Federação dos Bancários do Rio de Janeiro e Espírito Santo e representante da corrente política Fórum, Nilton Damião Esperança, enfatizou o papel democrático da Contraf-CUT e a unidade entre as diferentes correntes do movimento sindical.
“Este congresso reafirma a unidade como elemento central da nossa luta. Estamos construindo uma confederação democrática, onde todos têm espaço para se expressar. Temos muito orgulho de fazer parte da Contraf-CUT.”

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