Setembro Amarelo: saúde mental também depende de condições dignas de trabalho
Data: 08/09/2026 às 09:56
Fonte: Seeb Araraquara

O Setembro Amarelo, movimento de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a valorização da vida, amplia a discussão sobre a importância de cuidar da saúde mental. Para os trabalhadores, porém, falar sobre o tema também significa olhar para o ambiente profissional e para as condições em que o trabalho é realizado.

Na categoria bancária, a discussão ganha contornos ainda mais preocupantes. A pressão por resultados, a cobrança permanente pelo cumprimento de metas, a redução das equipes, o medo da demissão, o assédio moral e a dificuldade de conciliar vida profissional e pessoal fazem parte da realidade enfrentada diariamente por muitos trabalhadores.

Quando essas situações se tornam permanentes, o trabalho deixa de ser apenas uma fonte de renda e passa a representar um fator de sofrimento. Ansiedade, depressão, crises de pânico, insônia e esgotamento são alguns dos problemas que podem surgir ou se agravar em ambientes marcados por pressão excessiva e falta de reconhecimento.

Por isso, a prevenção ao adoecimento mental não pode ser resumida à recomendação para que o trabalhador “se cuide”. É fundamental discutir também aquilo que está por trás do sofrimento.

Pressão por metas e redução das equipes

A transformação do setor bancário trouxe novas tecnologias, canais digitais e mudanças na forma de atendimento. Ao mesmo tempo, a redução de postos de trabalho e o fechamento de unidades aumentaram a responsabilidade sobre quem permanece nas agências e departamentos.

Em muitas situações, menos trabalhadores precisam dar conta de um volume elevado de tarefas, atender clientes, cumprir metas comerciais e responder a cobranças cada vez mais intensas. A pressão se acumula e pode transformar a rotina profissional em uma fonte permanente de tensão.

A cobrança por produtividade também pode estimular práticas de assédio e constrangimento, principalmente quando resultados são colocados acima das condições humanas de trabalho.

Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Araraquara e Região, Paulo Roberto Redondo, enfrentar o problema exige mudar a forma como o trabalho é organizado.

“Cuidar da saúde mental é também discutir as condições que estão levando tantos trabalhadores ao sofrimento. Não podemos aceitar que o bancário seja responsabilizado individualmente por um adoecimento que muitas vezes está relacionado à pressão, às metas abusivas, à sobrecarga e à insegurança no emprego. Valorizar a vida passa, necessariamente, por garantir um ambiente de trabalho saudável e respeitoso.”

Prevenir também é mudar o ambiente de trabalho

O trabalhador deve ser estimulado a reconhecer sinais de sofrimento, procurar ajuda profissional e conversar sobre aquilo que está enfrentando. Mas o cuidado individual precisa caminhar junto com medidas coletivas de prevenção.

Empresas têm responsabilidade sobre os riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho. Isso significa combater o assédio, rever práticas de cobrança, dimensionar adequadamente as equipes, respeitar períodos de descanso e criar condições para que o trabalhador possa exercer suas funções sem colocar a própria saúde em segundo plano.

No setor bancário, essa discussão precisa estar presente nas relações entre trabalhadores, empresas e representação sindical.

O Setembro Amarelo, portanto, pode ser também um momento para lembrar que ninguém deve enfrentar o sofrimento sozinho. Buscar ajuda é importante, mas construir ambientes de trabalho que não adoeçam é igualmente necessário.

 

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