
Em vigor desde maio deste ano, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR 1) reforçou e tornou mais explícita a obrigação das empresas de identificar, avaliar e gerenciar os fatores de risco para saúde mental dos trabalhadores. A nova NR-1 determina que riscos psicossociais passem a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) por meio do PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos).
Com isso, fatores como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio moral e sexual, pressão excessiva, sobrecarga, conflitos interpessoais e falhas na organização do trabalho passaram a entrar no radar da fiscalização, exigindo identificação, avaliação e adoção de medidas preventivas e corretivas.
Participação dos trabalhadores é fundamental
A NR-1 dispõe que os documentos integrantes do PGR – Programa Geral de Riscos devem estar sempre disponíveis aos Sindicatos, bem como a consulta e participação dos trabalhadores no processo de gerenciamentos de riscos ocupacionais, ou seja, na gestão de saúde e segurança do trabalho. Esta é exatamente uma das reinvindicações dos bancários na Campanha Nacional da categoria.
“Reivindicamos que os bancos assegurem a participação dos bancários e do sindicato em todas as etapas do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), compreendendo a elaboração, implementação, acompanhamento e revisão do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), do inventário de riscos e dos demais instrumentos previstos na NR-1”, explica uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.
Para isso, os bancários propõem que sejam instituídos, em cada banco, um Comitê Permanente de Gestão de Riscos Ocupacionais, de caráter paritário, composto por representantes do Sindicato, da CIPA e do SESMT, com a finalidade de acompanhar, intervir e deliberar sobre os processos relacionados ao GRO e ao PGR.
Na negociação realizada com a Fenaban em 30 de julho, os banqueiros sinalizaram disposição para debater periodicamente o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) nas Comissões de Organização dos Empregados (COEs) e na mesa nacional de negociação.
“Consideramos um avanço e esperamos que estes debates resultem em medidas para prevenir o adoecimento”, avaliou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.
Bancos lideram ranking de afastamentos acidentários (B91) por saúde mental
Embora os bancos representem apenas 0,7% do estoque de empregos do país, foram responsáveis por 2,8% do total de afastamentos acidentários registrados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2024.
Quando considerados apenas transtornos mentais e comportamentais, os bancos múltiplos lideraram o ranking de atividades com maior número de afastamentos acidentários por saúde mental, com 1.946 registros, e ficaram na quinta posição nos afastamentos previdenciários, com 8.345 ocorrências.
“O alto índice de adoecimento por transtornos mentais na nossa categoria pode ser atribuído ao modelo de gestão dos bancos, marcado por metas abusivas, pressão por resultados, assédio e sobrecarga, riscos psicossociais descritos na NR-1. Reivindicamos a participação efetiva dos trabalhadores e sindicatos no GRO e PGR para que estas ferramentas não sejam apenas protocolares nos bancos. Para que elas resultem em ações concretas e efetivas para prevenir e enfrentar o adoecimento”, enfatiza Neiva.
Como provar que o transtorno mental tem relação com o trabalho?
De acordo o psiquiatra Leandro Savoy, entrevistado pela jornalista Rafaela Zem para reportagem do portal G1, transtornos mentais costumam surgir de forma gradual, silenciosa e por uma combinação de fatores. Diante disso, a Justiça não analisa se o trabalho foi a única causa da doença, mas se ele teve participação ou agravou o desencadeamento e a evolução do quadro.
Para isso, é analisada a dinâmica do trabalho e fatores de risco como metas abusivas, jornadas exaustivas, pressão por resultados, assédio, entre outros. Também são levados em consideração os níveis de adoecimento geral em determinado setor ou empresa; e a postura adotada pela empresa em casos semelhantes.
Condenações
A reportagem do G1 cita exemplos de condenações relacionadas com o adoecimento mental dos trabalhadores.
A condenação do Atacadão, em agosto do ano passado, com pagamento de indenização de R$ 5 milhões, devido a uma ação coletiva do Ministério Público do Trabalho, que reuniu diversos relatos de assédio moral e sexual, além de evidências de adoecimento mental entre funcionários.
E a condenação do Santander, em outubro de 2024, ao pagamento de indenização por dano moral coletivo devido a práticas de assédio moral e conduta discriminatória.
Em nota enviada ao portal G1, o Atacadão afirma que a decisão de primeira instância foi favorável à empresa e disse manter canais de denúncia, treinamentos preventivos e medidas disciplinares. A rede disse ainda que já recorreu da decisão.
Por sua vez, o Santander afirma que o caso segue em discussão e que possui políticas de prevenção, governança e canais internos de denúncias.
Bancários devem denunciar ao Sindicato
A secretária de Saúde da FETEC-CUT/SP e diretora do Sindicato dos Bancários de Araraquara e região, Rosângela Lorenzetti, ressalta a importância de os bancários que vivenciem situações de assédio moral ou sexual, pressão excessiva, metas abusivas ou qualquer outro fator de risco psicossocial procurarem por seus sindicatos.
“É importante que o trabalhador não enfrente sozinho uma situação de assédio ou de sofrimento relacionado ao trabalho. Procure a Secretaria de Saúde ou a Secretaria Jurídica do seu Sindicato e faça a denúncia. O movimento sindical tem instrumentos para acolher e orientar os trabalhadores, encaminhar as denúncias com garantia de sigilo, e buscar soluções inclusive por meio da negociação com os bancos e da atuação jurídica. Dar visibilidade a esses casos também é uma forma de fortalecer a luta por ambientes de trabalho mais saudáveis, seguros e livres de violência”, destaca Rosângela.
Bancários e bancárias podem contatar o Seeb Araraquara e região pelo (16) 98115-6150 ou falar diretamente com um de nossos dirigentes nas agências.

Fim do recesso parlamentar exige mobilização em defesa dos direitos dos trabalhadores

Itaú lucra alto no semestre, mas segue extinguindo empregos e fechando agências

Bradesco lucra R$ 13,861 bi no semestre, mas segue demitindo e fechando agências

Banco Central reduz Selic para 14% ao ano, mas juros seguem elevados e favorecendo apenas o mercado financeiro

CUT convoca mobilização nacional no dia 10 de agosto pelo fim da escala 6x1

Vem aí a 2ª edição do Campeonato de Truco dos Bancários e Bancárias de Araraquara

Financiários definem prioridades para a Campanha Nacional 2026

Conferência Nacional dos Financiários começa com debate sobre perfil da categoria, saúde e prioridades da Campanha Nacional 2026

Saúde Caixa: Banco apresenta proposta que chega a dobrar mensalidade
Institucional
Diretoria
História
Conteúdo
Acordos coletivos
Galeria
Notícias