
Trabalhadoras e trabalhadores de todo o Brasil se preparam para um novo momento de mobilização nacional pelo fim da escala 6x1 e redução da jornada de trabalho sem redução de salários, na próxima sexta-feira (20). A iniciativa reúne entidades sindicais e movimentos populares, e pretende pressionar o Congresso Nacional a avançar em uma pauta histórica para a classe trabalhadora.
Segundo as entidades organizadoras, a mobilização busca fortalecer o debate público sobre a necessidade de atualizar a legislação trabalhista diante das transformações tecnológicas e das mudanças no mundo do trabalho.
“A diminuição da jornada, sem corte nos salários, e o fim da escala 6x1 estão diretamente ligados ao bem-estar, à saúde e ao direito ao tempo livre. Essas mudanças não acontecem por vontade própria do Congresso. É a organização e a pressão da classe trabalhadora que fazem as pautas avançarem”, destaca o secretário de Assuntos Jurídicos e Condições de Trabalho do Sindicato dos Bancários de Araraquara e região, André Luiz de Souza.
Para a secretária geral da entidade, Andréia C. de Campos, a pauta ganha ainda mais relevância quando se trata da realidade enfrentada pelas mulheres no mundo do trabalho.
“Para nós, a redução da jornada representa dignidade e equilíbrio. Além da atividade profissional, recai sobre as mulheres, na maioria das vezes, a responsabilidade pelos cuidados com o lar, com filhos e familiares. Essa sobrecarga é invisibilizada e pouco valorizada. Diminuir a jornada, sem reduzir salários, é um passo importante para enfrentar essa desigualdade histórica e garantir melhores condições de vida às trabalhadoras”, ressalta.
Escala 6x1 afeta saúde e qualidade de vida
A escala 6x1, na qual o trabalhador cumpre seis dias consecutivos de trabalho e tem apenas um dia de descanso, é apontada por especialistas e movimentos sociais como um modelo que provoca cansaço extremo, estresse e adoecimento.
Além dos impactos físicos, o modelo reduz o tempo de convivência familiar, lazer, estudo e participação social, afetando diretamente a qualidade de vida.
Pesquisas reforçam a demanda apresentada pelas organizações. Levantamento do Datafolha aponta que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1, indicando amplo respaldo social para a proposta.
Redução da jornada pode gerar empregos
Estudo do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT), da Unicamp, aponta que a redução da jornada poderia gerar até 4,5 milhões de empregos no Brasil, resultado da necessidade de reorganização das jornadas e da ampliação da contratação para manter os níveis de produção.
Dados sobre a realidade atual do trabalho também ajudam a explicar a mobilização. Cerca de 21 milhões de trabalhadores atuam mais de 44 horas por semana, enquanto apenas em 2024 foram registrados aproximadamente 500 mil afastamentos por doenças relacionadas ao trabalho, muitas delas associadas ao excesso de jornada e ao estresse ocupacional.
Benefícios sociais e econômicos
Para as entidades organizadoras, reduzir a jornada representa um avanço social e econômico. Experiências realizadas em diversos países mostram que jornadas menores podem aumentar o foco, a produtividade e a qualidade do trabalho realizado.
A mudança também contribui para reduzir acidentes e doenças ocupacionais, já que diminui a exposição a jornadas exaustivas e ambientes de trabalho estressantes.
Além disso, o avanço tecnológico e a automação tornam possível produzir mais sem ampliar o tempo de trabalho. Para os organizadores da campanha, modernizar a organização da jornada é uma forma de adaptar o mercado de trabalho às transformações econômicas e tecnológicas.
Pressão social será decisiva
Estudo do Ipea divulgado em 2026 indica que a redução da jornada teria impacto inferior a 1% no custo das empresas em setores como indústria e comércio, enquanto os ganhos podem incluir geração de empregos, aumento da produtividade e melhora da qualidade de vida.

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