
A Lei nº 8.213/1991, conhecida como Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência (PcD), completa 35 anos nesta sexta 24. Mas o que deveria ser um dos principais marcos da inclusão no mercado de trabalho segue sendo descumprido pelas empresas. É o que revelam os dados da relação anual de informações sociais (Rais), do Ministérios do Trabalho e Emprego, compilados pelo Dieese.
Os números mostram que, em 2025, apenas 1,27%dos postos de trabalho formal eram ocupados por PcD. De acordo com a legislação, empresas com 100 trabalhadores ou mais devem preencher o quadro de funcionários com PcD de acordo com o número de empregados.
Em, 2025, para que a lei de cotas fosse totalmente cumprida, os PcD deveriam ocupar as vagas na seguinte proporção:
- 37.564 vagas para empresas de 100 a 200 trabalhadores;
- 49.913 vagas para PcD em empresas de 201 a 500 trabalhadores;
- 4912 vagas para PcD em empresa de 501 a 1000 trabalhadores;
- 276.572 vagas para PcD em empresas com mais de mil trabalhadores.
De acordo com o Dieese, estima-se que apenas 23% das empresas cumpriam percentuais destinados a pessoas com deficiências em 2025, e apenas uma em cada 29 PcD ocupava cargo de direção ou gerencia.
Especialistas e representantes dos trabalhadores destacam que os principais obstáculos são processos seletivos pouco acessíveis, barreiras arquitetônicas e tecnológicas, preconceitos e a ausência de políticas efetivas de inclusão e diversidade dentro das empresas. Para especialistas, a contratação representa apenas o primeiro passo de uma inclusão que precisa ser contínua.
Fruto da organização e mobilização dos trabalhadores ao lado do Sindicato, e de negociação coletiva, a Convenção Coletiva dos Bancários reúne cláusulas específicas voltadas à promoção da igualdade de oportunidades para trabalhadores com deficiência.
Entre elas está a previsão de abono de ausência quando o empregado precisar realizar manutenção ou conserto de equipamentos e tecnologias assistivas, como cadeiras de rodas, órteses e próteses, assegurando condições para o exercício de suas atividades profissionais.
Bancários cobram dos bancos mais igualdade de oportunidades
No contexto da Campanha Nacional Unificada, os bancários estão novamente na mesa de negociação reivindicando dos bancos direitos como medidas para ampliar a democratização do acesso ao emprego e garantir igualdade de oportunidades de contratação, ascensão profissional e remuneração para mulheres, negros e negras, pessoas LGBTQIA+ e pessoas com deficiência.
"A Lei de Cotas representou um marco importante para ampliar o acesso das pessoas com deficiência ao mercado de trabalho, mas os números revelam que sua aplicação ainda está muito aquém do necessário. Não basta preencher vagas para cumprir uma exigência legal. É preciso criar ambientes inclusivos, com processos seletivos acessíveis, condições adequadas de trabalho, oportunidades de qualificação e critérios justos para crescimento profissional. A verdadeira inclusão acontece quando há respeito, igualdade e valorização das potencialidades de cada trabalhador", destaca o secretário de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato dos Bancários de Araraquara e região, André Luiz de Souza.
Para entidades representativas, os 35 anos da Lei de Cotas devem ser lembrados não apenas como um marco histórico, mas como um incentivo para fortalecer políticas públicas, aprimorar a fiscalização e ampliar iniciativas que garantam igualdade de oportunidades e ambientes de trabalho verdadeiramente inclusivos.

Santander apresenta proposta insuficiente e não retoma negociação após rejeição da COE

Direito à desconexão: nova CCT garante respeito ao tempo de descanso dos bancários

Caixa confirma PLR, prêmio de R$ 3 mil e Super Caixa para dia 20

Veja perguntas frequentes sobre a decisão do TST para o dissídio da Caixa

Funcionários do BB publicam carta aberta em defesa do caráter público do banco

Após longo dia de negociação, comissão dos trabalhadores conquista proposta da Fenacrefi

Contraf-CUT envia ofício à Caixa questionando data do pagamento da PLR, bônus e Super Caixa

Sindicato recebe Rodrigo Leite para diálogo com funcionários do BB sobre ACT e Campanha Nacional 2026

Curso sobre Paternidade e Maternidade com Relações Compartilhadas tem nova turma em outubro
Institucional
Diretoria
História
Conteúdo
Acordos coletivos
Galeria
Notícias