
A ameaça de uma crise de crédito, reforçada pelo aumento do endividamento das famílias, está no centro das ações do novo governo. Uma série de medidas têm sido anunciadas para melhorar o ambiente econômico e afastar o risco de um aumento da inadimplência, como o programa Desenrola Brasil, focado na renegociação de dívidas.
O programa, que será lançado em breve, chega em boa hora: a taxa média de juros cobrada pelos bancos nas operações de pessoas físicas e empresas teve um aumento de 1,8% em janeiro deste ano, subindo para 43,5% ao ano. A informação foi divulgada na última segunda-feira (27) pelo Banco Central (BC).
Esse é o maior patamar desde agosto de 2017. No cheque especial de pessoas físicas, a taxa está em 132% ao ano. Já a taxa média de juros cobrada pelos bancos nas operações com cartão de crédito rotativo está em 411,5%. Ainda segundo o BC, o endividamento das famílias somou 49,6% da renda acumulada nos doze meses até novembro do ano passado. Antes da pandemia, no início de 2020, o endividamento das famílias somava 41,8%.
Essa política adotada pelos bancos eleva a pressão sobre as famílias, prejudicando o consumo e a tomada de crédito. No final de semana, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, deu uma entrevista ao jornal Estado de São Paulo, onde ele detalhou ações do governo para evitar uma crise de crédito.
Segundo o secretário, além do Desenrola Brasil, a retomada do Minha Casa, Minha Vida, o novo Bolsa Família, a correção na tabela do Imposto de Renda e a volta do aumento real do salário mínimo acima da inflação são instrumentos que permitirão uma melhora do ambiente econômico. Ao mesmo tempo, irão auxiliar no controle da inflação e abrir caminho para a redução da taxa de juros.
Galípolo garantiu que o Ministério da Fazenda vem construindo as condições para que os juros caiam, em especial os juros cobrados por bancos para pessoas físicas e empresas. Ele explicou que tudo isso deve estar alinhado com um projeto que seja sustentado “por três pilares: desenvolvimento econômico, social e ambiental”.
Nobel da economia apoia governo na luta por juros baixos
Com quase 40% da população economicamente ativa negativada – 70 milhões de pessoas estão sem acesso a crédito – uma redução da atual taxa de juros estabelecida pelo Banco Central torna-se um imperativo no debate econômico aberto pelo presidente Lula. Nas últimas semanas, o presidente fez críticas à decisão do presidente do BC, Roberto Campos Neto, de manter a taxa Selic em 13,75%, o que confere ao país a maior taxa de juros real do planeta.
Às críticas se seguiram de manifestações de economistas prestigiados em apoio à tese do presidente, como Monica de Bolle e o ex-presidente do Banco Central e um dos pais do Plano Real, André Lara Resende, entre outros. Na terça-feira (28), foi a vez do Nobel de Economia Joseph Stiglitz, professor da Universidade de Columbia (EUA) e ex-diretor do Banco Mundial confirmar que o governo está certo ao pedir juros mais baixos.

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