
O Sindicato dos Bancários de Araraquara e Região realizou, na noite desta quarta-feira (4), o lançamento do livro-reportagem “Guatemala e Palestina sob o tacão genocida de Israel – Uma história silenciada pela mídia hegemônica”, do jornalista Leonardo Wexell Severo, em uma atividade marcada por ampla participação popular e forte conteúdo político.
O evento reuniu bancários e bancárias, dirigentes sindicais, militância regional, representantes da sociedade civil, movimentos sindicais e sociais, além de sindicatos parceiros, consolidando mais uma vez o papel da entidade como espaço de formação crítica, resistência e solidariedade internacional.

A obra apresentada por Leonardo Wexell Severo é resultado de um trabalho jornalístico profundo e minucioso, baseado em pesquisas, relatos e vivências diretas do autor em territórios atravessados por violência, repressão e silenciamento histórico. Com rigor investigativo e compromisso com a verdade, o livro expõe massacres e processos de extermínio sofridos pelos povos da Guatemala e da Palestina — episódios que seguem, ainda hoje, invisibilizados ou distorcidos pela grande mídia.
Para o escritor, com experiência em mais de 20 países, “neste momento em que o governo de Donald Trump anuncia um ‘Conselho da Paz’ e se autonomeia para o cargo de presidente vitalício – para ditar as regras do mundo - e o fascista Benjamin Netanyahu fala em ‘solução final’, fica claro que imperialismo e sionismo são duas faces da mesma moeda”.

OS MASSACRES DE ISRAEL - “Tive contato com a prática dos sionistas - que são ‘judeus nazistas’ -, ao visitar a Guatemala em 2013 e 2024, e a Palestina, em 2000 e 2015”, denunciou Severo. Na oportunidade, “vi a forma como ambos os povos foram terrivelmente massacrados por Israel”. “Na Cisjordânia e em Gaza havia centenas de crianças alvejadas por fuzis com miras telescópicas pelo simples fato de atirarem pedras em tanques de guerra”, recordou. Várias delas gravemente feridas por uma bala de aço revestida com borracha, apontou, “para não matar, ‘apenas cegar’, diziam”. “Agora a situação é ainda mais horripilante, pois despejam bombas”, frisou.
Na Guatemala, com a derrubada de Jacobo Árbenz em 1953, os EUA puseram fim à reforma agrária e às conquistas sociais em favor da United Fruit Company. Logo depois, diante do crescimento da resistência, entraram os israelenses para fazer o jogo sujo e lucrarem com a indústria da morte. “Entre 1960 e 1996, oficialmente, foram mais de 200 mil guatemaltecos assassinados e 45 mil desaparecidos, entre eles cinco mil crianças”, lembrou Severo.
BARBÁRIE – “A mesma lógica de terrorismo de Estado foi usada por Israel contra os palestinos. Desde 7 de outubro de 2023 já são mais de 70 mil mortes, 12 mil soterrados sob os escombros e mais de 170 mil feridos. Infelizmente, a projeção é de que tenham sido ainda mais as vítimas dos massacres, tanto na Palestina quanto na Guatemala”, assinalou. Para dar a dimensão do horror, acrescentou, milhares de crianças tiveram mãos e pernas amputadas, ao mesmo tempo em que se agrava a política de “cerco e aniquilamento”.
“Para o bem da humanidade, é necessário ampliar a conscientização e a mobilização. Esta é uma excelente oportunidade para Araraquara fazer um contraponto à alienação e à desinformação”, concluiu Leonardo Wexell Severo.

Sindicato Cidadão
Ao abrir suas portas para um debate de relevância internacional, o Sindicato se posiciona como uma entidade que vai além das pautas trabalhistas, assumindo sua função social enquanto fomentador de debates fundamentais para a sociedade, em especial aqueles que envolvem a dignidade humana, a soberania dos povos e a denúncia de violações históricas.
Além disso, o lançamento do livro no município reforça o protagonismo de Araraquara no cenário regional, colocando a cidade novamente no centro das discussões que ajudam a compreender e interpretar os conflitos e os desafios que atravessam o cotidiano contemporâneo.
A secretária geral do Sindicato dos Bancários de Araraquara e Região, Andréia C. de Campos, destacou a importância da atividade e agradeceu a presença expressiva do público:
“Foi uma noite histórica. A presença massiva de bancários, dirigentes sindicais, militantes, movimentos sociais e representantes da sociedade civil mostra que Araraquara tem compromisso com a consciência crítica e com a solidariedade entre os povos. Agradecemos profundamente a participação de todos e, principalmente, a presença do jornalista Leonardo Wexell Severo, que nos trouxe uma obra de enorme relevância e coragem. O Sindicato tem orgulho de ser uma entidade cidadã, que não se limita à defesa da categoria bancária, mas contribui com debates que impactam a humanidade e fortalecem a luta por justiça social”, ressaltou Andréia.

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