
O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários se reuniu, na segunda-feira (1), com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), para a negociação "Gestão ética da tecnologia na relação de trabalho".
O encontro foi solicitado pelo movimento sindical para discutir os riscos do uso abusivo de tecnologias como ferramentas de controle, por parte das empresas sobre os funcionários, de forma a violar o direito à privacidade e ao bem-estar dos trabalhadores.
Logo no início da reunião, os representantes do movimento sindical apresentaram propostas sobre o tema, com as seguintes linhas gerais, que poderão fundamentar cláusulas futuras, na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria:
1. Que a aplicação de todas as novas ferramentas utilizadas nas relações de trabalho, seja monitoramento, avaliação ou treinamento, por exemplo, se atenha, exclusivamente, às questões relacionadas ao trabalho;
2. A garantia de que todas as ferramentas tecnológicas, novas ou as que já estão implementadas, sejam negociadas com o movimento sindical, para garantir a transparência de utilização das mesmas;
3. Garantia de intervenção humana e qualificada em todos os processos decisões relacionadas ao uso das tecnologias, para que nenhum trabalhador seja punido ou avaliado de forma automatizada; e
4. Gestão humana na utilização de novas tecnologias de monitoramento e avaliação no teletrabalho, garantindo ao funcionário o direito de questionar o resultado de seus feedbacks (avaliações).
Para a coordenadora do Comando Nacional e também presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, orientar o tema por meio de cláusulas é fundamental para que a tecnologia tenha seu uso limitado às situações do trabalho.
"Não tem cabimento aceitarmos que a trabalhadora e o trabalhador sejam submetidos a vigilância intrusiva, que invada sua privacidade, indo além das dimensões do trabalho, retirando-lhes a autonomia. A hipervigilância não é saudável, em sentido algum, seja para a criatividade, seja para o bem-estar, porque impede que o funcionário realize de forma saudável suas atividades", destacou. "Para isso, exigimos a garantia de participação do movimento sindical sobre os tipos e usos de tecnologias, e de que formam impactam o dia a dia dos trabalhadores", completou.
O secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, completou que a "gestão ética do uso da tecnologia" no trabalho, por parte dos bancos, deve incluir ainda o direito do trabalhador à contestação e informação.
"Os trabalhadores têm o direito de saber que tipo de sistemas estão monitorando-os e de que forma são utilizados para a formulação de feedbacks. Também defendemos que nenhum trabalhador seja punido ou avaliado exclusivamente por decisão automatizada. Para isso, é necessária a garantia da intervenção humana e qualificada, especialmente nos processos relacionados ao monitoramento", ressaltou.
A também coordenadora do Comando Nacional e presidenta do Sindicato de São Paulo, Osasco e Região (Seeb-SP), Neiva Ribeiro, reiterou a importância de que os bancos garantam a transparência em todos os mecanismos de monitoramento.
“Este debate é de suma importância para a categoria diante do avanço das novas tecnologias. Não podemos permitir que se repita um episódio recente – no qual o monitoramento digital, do qual trabalhadores não tinham pleno conhecimento e não receberam feedback prévio, foi utilizado como justificativa para demissão em massa. Para isso, é preciso garantirmos a utilização ética das novas tecnologias em todas as etapas das relações de trabalho no setor bancário”, concluiu.
Uma nova reunião será realizada, ainda sem data prevista, para que as negociações sobre o tema prossigam.

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