
O Brasil registrou em 2025 o maior número de denúncias de trabalho escravo e de situações equivalentes à escravidão desde o início da série histórica, de acordo com dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), divulgados na última sexta-feira (9).
Ao longo do ano passado, foram contabilizadas 4.515 denúncias, o que representa um crescimento de cerca de 14% em relação a 2024, quando já havia sido observado um recorde anterior.
As denúncias registradas abrangem diversas formas de exploração, incluindo trabalho escravo infantil e casos envolvendo adultos submetidos a jornadas exaustivas, condições degradantes, servidão por dívida e restrição de liberdade, todas características que configuram crime sob a legislação brasileira. O trabalho análogo ao de escravo é configurado quando o trabalhador está submetido, junto ou isoladamente a situações de cerceamento de liberdade, condição degradante, jornada exaustiva, servidão por dívida. (Art. 149/Código Penal).
Os dados também mostram uma tendência de alta contínua nos últimos anos, com o total de denúncias mais que dobrando em pouco mais de uma década. Somente em janeiro de 2025, por exemplo, foram registrados 477 casos, a maior quantidade mensal desde a criação do serviço de recebimento de denúncias em 2011.
Além dos números de denúncias, os levantamentos anteriores indicam que milhares de trabalhadores já foram resgatados em operações de fiscalização, principalmente nos setores da construção civil e agronegócio, reforçando que o combate ao trabalho escravo continua sendo um desafio significativo no país.
Denúncias nos últimos cinco anos
2021 - 1.918
2022 - 2.084
2023 - 3.430
2024 - 3.959
2025 – 4.515
Número de resgates também aumentou
O último dado divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em 2025, mostra que 2.186 trabalhadores e trabalhadoras foram resgatados no Brasil no ano anterior (2024). Os números de 2025 ainda não foram divulgados. Desde 1995, mais de 65.000 pessoas foram resgatadas de condições análogas à escravidão no Brasil.
Como denunciar
As violações de direitos humanos podem ser denunciadas por diferentes plataformas: além das ligações telefônicas do Disque 100, as vítimas podem realizar denúncias pelo WhatsApp e Telegram. Pessoas surdas ou com deficiência auditiva podem entrar em contato por videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
As denúncias são encaminhadas aos órgãos de proteção e de apuração, como conselhos estaduais, Centros de Referência Especializados de Assistência Social, delegacias, Ministério Público, entre outros. O Ministério dos Direitos Humanos faz o encaminhamento e o acompanhamento das denúncias após elas saírem da central do Disque 100.

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