Bradesco lucra R$ 13,861 bi no semestre, mas segue demitindo e fechando agências
Mesmo com resultados tão expressivos e crescimento da base de clientes, banco fecha 324 agências e elimina 2.448 postos de trabalho em 12 meses, sobrecarregando bancários e prejudicando o atendimento à população
Data: 07/08/2026 às 10:49
Fonte: Seeb/SP, com edição de Seeb Araraquara
O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões no 1º semestre de 2026, uma alta de 16,2% em relação do mesmo período do ano passado; e de 3,5% na comparação entre os resultados do 2º e do 1º trimestre. O retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) foi de 16% no semestre, um acréscimo de 1,4 ponto percentual em doze meses.

O crescimento de 16,2% no lucro do Bradesco, na comparação entre 1º semestre de 2025 e o 1º semestre deste ano, foi o melhor resultado entre os três grandes bancos privados (Itaú, Santander e Bradesco). De acordo com o relatório do banco, já são dez trimestres consecutivo de aumento no lucro.

Mesmo com resultados tão expressivos, o Bradesco segue cortando empregos bancários e fechando agências. O banco encerrou o 1º semestre de 2026 com 79.699 funcionários (sendo 67.954 bancários), com fechamento de 2.448 postos de trabalho em doze meses. Só no 2º trimestre, o banco registrou saldo negativo de 868 empregos bancários (diferença entre demissões e contratações).

Em relação ao número de agências, o Bradesco encerrou as atividades de 324 unidades em doze meses.

Por outro lado, a base de clientes do Bradesco, de acordo com os dados do Banco Central, cresceu em 300 mil em doze meses, sendo 100 mil apenas no 2º trimestre, totalizando R$ 110,4 milhões de clientes.

“Mesmo com excelentes resultados, o Bradesco continua demitindo bancários e fechando agências. Isso enquanto a sua base de clientes cresce exponencialmente. O resultado disso não pode ser outro. Bancários sobrecarregados e adoecidos; e clientes prejudicados pela falta de atendimento presencial”, critica a coordenadora da COE do Bradesco (Comissão de Organização dos Empregados do Bradesco), Erica de Oliveira.

“Para piorar ainda mais esse cenário, o Bradesco segue com essa política de demissões e fechamento de agências em plena Campanha Nacional Unificada dos Bancários. Porém, a nossa melhor resposta a essa postura do banco é a mobilização cada vez maior por valorização, com aumento real; saúde; e melhores condições de trabalho”, acrescenta a dirigente.

Somente com o que arrecada com prestação de serviços e tarifas bancárias, receita secundária que cresceu 5% em doze meses, totalizando R$ 15,8 bilhões, o Bradesco cobre em 117% toda a sua despesa com pessoal, incluindo a PLR.

“Os números deixam claro que o Bradesco tem margem para avançar na valorização dos seus funcionários. Não estamos falando de um banco que enfrenta dificuldades, mas de uma instituição que vem ampliando seus resultados ano após ano. É plenamente possível transformar parte dessa ‘prosperidade’ em melhores condições de trabalho e em reconhecimento para quem contribui diretamente para que esses resultados sejam alcançados”, ressalta o presidente do Sindicato dos Bancários de Araraquara e região, Paulo Roberto Redondo.

Outros números

A Carteira de Crédito Expandida do Bradesco apresentou alta de 11,6% em doze meses e 4,3% no trimestre, totalizando R$ 1,137 trilhão em junho de 2026.

A carteira pessoa física cresceu 8,4% em relação ao 1º semestre de 2025, totalizando aproximadamente, R$ 479,7, bilhões. Os destaques desse segmento foram o CDC/Leasing de Veículos (+26,8%), o crédito rural (+17,6%) e o cartão de crédito (+10,6%).

O segmento pessoa jurídica apresentou crescimento de 14,1% em um ano e de 6,7% no trimestre, totalizando R$ 656,9 bilhões. O saldo da carteira de grandes empresas apresentou alta de 12,7% em doze meses, enquanto o das micro, pequenas e médias empresas registrou expansão de 16,1%.

A taxa de inadimplência superior a 90 dias ficou em 4,3% no período, com alta de 0,2 p.p. em doze meses. As despesas com provisões das perdas esperadas (antiga PDD) cresceram 22,6%, ligadas a operações vinculadas a programas emergenciais, em razão do prazo de pagamento dessas linhas e ligadas à carteira de crédito rural.
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