
Para iniciar os trabalhos de domingo (24) – último dia da 27ª Conferência Nacional dos Bancários – as secretarias de Cultura e de Formação da Contraf-CUT prepararam uma encenação da greve histórica de 11 e 12 de setembro de 1985. O movimento, que está completando 40 anos, conseguiu mobilizar mais de 500 mil bancários e bancárias em todo o país, travando sistema financeiro nacional, por mais dignidade, reajuste salarial e respeito aos direitos trabalhistas.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Araraquara e região, Paulo Roberto Redondo, e a diretora da entidade, Rosângela Lorenzetti, participaram da atividade da Contraf-CUT, relembrando também suas atuações no movimento grevista de 1985.

Em 1985, o Brasil vivia a ressaca do movimento Diretas Já, de 1983 e 1984, sem conseguir eleger pelo voto direto o presidente da República depois de 21 anos de ditadura militar. Nesse contexto conturbado da chamada Nova República, a categoria bancária conseguiu formar a unidade nacional e forjar importantes dirigentes, como Beto von der Osten (o Betão), Adozinda de Almeida e Sérgio Takemoto, que, após a encenação, relembraram fatos da época.
“Nós passamos a noite anterior ao dia da greve pintando faixas e dormimos em carros, em frente das agências, para evitar a ocupação noturna, que era quando gerentes levavam empregados para dormir dentro dos locais de trabalho”, relembrou Betão, logo após a intervenção teatral. “A ditadura tinha destruído tudo o que tínhamos antes, sendo o mais importante a nossa autoestima. A gente vivia com medo, medo de fazer greve, medo de fazer assembleias", continuou o dirigente.
Adozinda de Almeida, que também ajudou a fazer história naquela época, contou que em 1979 os bancários haviam tentado uma paralisação nacional. “Naquele ano, um ministro foi à televisão e, em cadeia nacional, ameaçou toda a categoria, dizendo que iria prender todo mundo”, ressaltou. “Apesar de não ter dado certo, a tentativa de 1979 nos ajudou a construir o que viria a ser mais tarde a grande greve de 1985”, ressaltou a dirigente.
Adozinda observou que um fator importante para o sucesso da paralisação de 1985 foi a categoria ter levado à população a consciência da situação dos bancários. “Conseguimos explicar porque iríamos parar, e a população atendeu”, pontuou. “Mas, uma outra questão importante, também, foi que conseguimos entender, como categoria, que o patrão era só um no Brasil inteiro, que todos nós sofríamos as mesmas questões. O que garantiu a nossa unidade”, completou.
Sérgio Takemoto, que à época era economiário na Caixa Federal, reforçou o papel da unidade e da consciência de classe para as conquistas obtidas em 1985.
“Uma das primeiras coisas que aprendemos foi que sem greve não teríamos conquistas. Em seguida, tivemos que decidir se a gente iria para a categoria bancária ou formava um sindicato próprio, dos economiários. Mas, graças à consciência de classe, a compreensão de que somos todos trabalhadores e trabalhadoras, nos tornamos bancários”, disse, lembrando que logo após a grande greve, os empregados e empregadas da Caixa realizaram outra paralisação, em 30 de outubro, quando conquistaram a jornada de seis horas e passaram a ser bancários. “Naquela época éramos muitos jovens. A Caixa havia feito dois concursos públicos, em 1980 e 1981, que tinha limite de idade: só podia entrar quem tinha até 21 anos. Então, em 1982, quando tomei posse, éramos 20 mil economiários.”
Ao olhar pra trás, refletiu Betão, naquela época, eles “não tinham dimensão” do que estavam criando. “O que nós tínhamos era muita vontade de construir a luta. E o resultado é o legado que comemoramos agora: unidade nacional e o porte da estrutura sindical alcançado hoje”, comemorou o dirigente.
Além da jornada diária de 6h e a união da data base, em 1985, os bancários conquistaram reajuste salarial de 90,78% e antecipação de 25% diante do processo inflacionário que corroía os ganhos dos trabalhadores na ordem de 10% ao mês.

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